terça-feira, 17 de novembro de 2009

Simplicidade

Li uma coisa muito interessante no jornal.
A folha tem nas segundas-feiras um caderno chamado New York Times, esse caderno traz uma série de reportagens no mínimo peculiares sobre acontecimentos no mundo.
No mês de outubro saiu uma reportagem que tinha como titulo: Um desejo pelo o que é real, o texto comentava: “a bolha financeira e seu estouro acenderam um anseio por uma era de baixa tecnologia, mais estável e simples - A busca por um tempo que parece menos comercial e mais real”.
Nossa como isso faz sentido pra mim, atualmente sinto que as pessoas querem mostrar, mostrar tudo que tem o que possuem o que sabem o que compram, ou seja, é o consumo valorizado ao extremo..o carro zero, a casa gigante, a balada do momento, o apartamento no centro, a bebida da hora, o celular que acabou de sair o ipod, ifone, ai ai ai nada estranho em ter tudo isso, eu tb almejo muitas coisas, mas o que desponta meu comentário é a necessidade de mostrar tudo para os outros, é ter isso quase como uma obrigação, como se as pessoas pudessem resumir todo o seu perfil e grau de felicidade em cima disso, o que é triste e vazio e superficial.
Engraçado mas esse assunto parece estar bem em alta, li que existe até um curso chamado “cool” em Londres entre os mais procurados que ensina como são as simples atitudes cotidianas que fazem as pessoas felizes.

Gente cadê a simplicidade? Cadê o prazer em realizar pequenas coisas em conquistar pequenos desejos em sorrir só porque vimos uma borboleta ou algo do tipo. Pensando nisso lembrei de um texto que eu sou apaixonada desde adolescente e que sempre me fazia chorar ao ler..
Experiência
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar. Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro. Já me cortei fazendo a barba apressado. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas. Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada. Já fiz juras eternas. Já escrevi no muro da escola. Já chorei sentado no chão do banheiro. Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro. Já tremi de nervoso. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua. Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a
vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

Um comentário:

  1. Adorei Carolzinha! Vc escreve super bem.
    Qto à simplicidade, eu acho que está em falta. É como vc disse, tornou-se quase uma obrigação ter tudo que está na moda, do ultimo tipo, e alguem que não faz questao disto é considerado um et. Tempos dificeis...
    beijo.

    ResponderExcluir